Comprar de empresas do Simples Nacional ainda vai valer a pena no B2B?
Planejamento Tributário
10 de agosto de 2026
4 min de leitura

Comprar de empresas do Simples Nacional ainda vai valer a pena no B2B?

📌 1) A nova dinâmica que ameaça pequenos fornecedores B2B:

Com a Reforma Tributária, o foco dos compradores corporativos mudou. No mercado B2B, a decisão de compra de empresas do Lucro Presumido ou Lucro Real não levará em conta apenas o preço final do produto ou serviço, mas a quantidade de crédito tributário (IBS e CBS) que aquele fornecedor gera na operação.

🔎 2) O dilema dos créditos reduzidos no Simples Nacional:

Na nova estrutura do IVA Dual, a forma como o Simples Nacional transfere créditos tributários passa por uma grande transformação:

Trava nos Créditos: Se a empresa do Simples mantiver o recolhimento unificado tradicional, ela repassará ao comprador apenas o crédito referente ao imposto efetivamente pago no seu regime — valor substancialmente menor que a alíquota cheia.

Aumento do Custo Efetivo: Para o comprador (Lucro Real ou Presumido), contratar um fornecedor do Simples que repassa menos crédito significa pagar mais imposto ao final do mês na sua própria apuração.

Perda de Competitividade: Mesmo apresentando um preço nominal mais baixo, a empresa do Simples pode se tornar a opção "mais cara" do ponto de vista fiscal para grandes clientes.

A Opção Híbrida: A legislação permite que o optante do Simples recolha o IBS e a CBS por fora para transferir crédito integral, mas isso exige um recalculo de custos e aumento na complexidade operacional.

👉 O impacto no dia a dia: Empresas que vendem no B2B e continuarem no Simples sem planejamento podem ver seus grandes clientes migrando para concorrentes que geram crédito cheio.

💰 3) Preço de Tabela x Custo Efetivo com Crédito:

A avaliação da cadeia de suprimentos passa a considerar a eficiência tributária total:

Fornecedor sem Crédito Cheio: Preço de venda aparentemente menor, mas gera menos abatimento de imposto para o cliente, encarecendo a compra final.

Fornecedor com Crédito Cheio: Preço alinhado ao mercado e repasse integral de IBS/CBS, reduzindo a carga tributária líquida do comprador.

🛠️ 4) Como se posicionar nessa nova realidade B2B:

Se a sua empresa vende para outras empresas ou depende de fornecedores do Simples, adote estes passos:

Audite sua Carteira de Clientes: Mapeie se seus principais compradores são consumidor final (B2C) ou empresas do Lucro Presumido/Real (B2B).

Simule o Regime Híbrido: Avalie a viabilidade de recolher IBS e CBS por fora do Simples para oferecer crédito integral aos seus clientes B2B.

Reavalie sua Cadeia de Fornecedores: Se você é o comprador, calcule o custo real das suas compras considerando o abatimento tributário de cada parceiro comercial.

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