PL 1087/2025: Como a Nova Tributação de Lucros Pode Afetar as PMEs — e o Que Fazer Ainda em 2025 para Evitar Aumentos Futuros
Reforma Tributária
20 de novembro de 2025
9 min de leitura

PL 1087/2025: Como a Nova Tributação de Lucros Pode Afetar as PMEs — e o Que Fazer Ainda em 2025 para Evitar Aumentos Futuros

A proposta do Projeto de Lei 1.087/2025 reacendeu um debate central para empresários e contadores: a tributação de lucros e dividendos de pessoas físicas e os impactos diretos no planejamento financeiro das pequenas e médias empresas.

Apesar de ter sido apresentado com foco em “corrigir distorções” e “tributar altas rendas”, o texto traz efeitos relevantes para negócios de todos os portes — especialmente aqueles que dependem da distribuição de lucros para remunerar sócios.

Neste artigo, a Hult Contabilidade explica, de forma clara e profunda, o que muda, como isso afeta sua empresa e quais medidas você pode tomar ainda em 2025 para evitar pagar mais imposto a partir de 2026.


O que é o PL 1087/2025?

O PL foi apresentado pelo governo federal no início de 2025 com três pilares principais:

  1. Aumentar a isenção do IRPF para pessoas físicas com renda até R$ 5 mil/mês.

  2. Criar uma tributação mínima para pessoas físicas com renda anual superior a R$ 600 mil.

  3. Tributar parte dos lucros e dividendos recebidos por pessoas físicas quando ultrapassam determinados limites.

O ponto mais sensível para empreendedores está justamente no terceiro item.


O que muda na distribuição de lucros?

O texto prevê que, a partir de 2026, toda empresa que pagar lucros ou dividendos superiores a R$ 50 mil por mês para cada sócio pessoa física deverá reter 10% de imposto na fonte.

Isso vale para empresas do:

  • Simples Nacional

  • Lucro Presumido

  • Lucro Real

Ou seja, nenhum regime recebeu isenção específica.

Na prática, as PMEs que utilizam a distribuição de lucros como forma de remunerar os sócios terão que reavaliar o modelo de retirada — principalmente aquelas que já operam com margens apertadas.


Impactos diretos para pequenas e médias empresas

1. Redução do valor líquido recebido pelo sócio

Sócios que recebem acima do limite de R$ 50 mil/mês terão parte de sua renda diretamente tributada.

Para muitos empresários, isso pode significar uma redução significativa no rendimento pessoal.

2. Aumento da complexidade na gestão

Será necessário:

  • Monitorar mensalmente os valores distribuídos a cada sócio,

  • Controlar atas e decisões societárias,

  • Registrar corretamente as aprovações,

  • Evitar distribuição irregular que gere autuação posterior.

A burocracia irá aumentar — especialmente para empresas sem boa governança.

3. Necessidade de rever o regime tributário

A lógica atual de escolha entre Simples, Presumido ou Real pode se alterar.
Se a distribuição de lucros se torna menos vantajosa, regimes antes eficientes podem deixar de ser a melhor opção.

4. Pressão sobre o fluxo de caixa

Como muitos empresários usam dividendos como forma de viver (e não só como reinvestimento), a retenção pode gerar tensão financeira pessoal e empresarial.


A janela estratégica de 2025: a “ata de distribuição”

Aqui está a boa notícia — e a oportunidade real que poucas empresas perceberam.

Segundo especialistas e análises contábeis, o PL 1087/2025 prevê uma regra de transição:

Lucros apurados até 31/12/2025, e aprovados em ata até 31/12/2025, continuarão isentos mesmo se forem pagos em 2026 ou depois.

Em outras palavras:
se sua empresa tiver lucros acumulados até o fim de 2025, e você formalizar uma ata aprovando sua distribuição até o último dia do ano, esses valores não serão tributados.

Isso abre uma estratégia poderosa:

⭐ Estratégia recomendada pela Hult Contabilidade:

  1. Feche o balanço de 2025 com precisão e boa documentação.

  2. Levante o total de lucros acumulados.

  3. Marque uma reunião de sócios ainda em 2025.

  4. Aprove formalmente a distribuição desses lucros em ata.

  5. Registre essa ata conforme as regras societárias.

Você não precisa pagar os lucros imediatamente.

Apenas precisa aprová-los formalmente ainda em 2025.

Isso pode representar economia tributária de 10% sobre valores expressivos.


Uma visão crítica: quem realmente será impactado?

Como sempre, é preciso olhar além do discurso oficial.

A proposta apresenta falhas importantes:

1. Não há contrapartidas para PMEs

Enquanto os dividendos passam a ser tributados, não houve redução nos impostos das empresas — o que desloca o peso da carga para quem menos tem estrutura.

2. O limite de R$ 50 mil/mês não é corrigido pela inflação

Ou seja, empresas médias que hoje estão abaixo do limite podem ultrapassá-lo em poucos anos.

3. A burocracia societária aumenta

A exigência de atas, registros e controles mais frequentes coloca pressão adicional sobre empresas que já operam com recursos limitados.

4. O texto ainda pode mudar

Até aprovação definitiva, tudo está sujeito a emendas e negociações.
É preciso planejar com cautela.


Como se preparar desde agora — guia prático da Hult

Aqui vai o checklist recomendado pelos nossos especialistas:

1. Mapeie todos os lucros acumulados até hoje.

Quanto sua empresa pode distribuir antes da mudança?

2. Simule sua distribuição mensal futura.

Sócios receberiam mais de R$ 50 mil/mês?

Há alternativas?

3. Organize sua governança.

Sem ata, sem isenção.

4. Revise seu modelo de retirada.

Avalie o equilíbrio entre pró-labore, distribuição e reinvestimento.

5. Avalie seu regime tributário.

O que era eficiente antes pode não ser mais.

6. Programe sua assembleia de 2025.

Não deixe para dezembro — o risco operacional é grande.

7. Conte com suporte especializado.

A complexidade desse PL exige acompanhamento técnico minucioso.


Conclusão: 2025 é decisivo para proteger seus lucros

O PL 1087/2025 traz uma mudança profunda na lógica de remuneração de sócios no Brasil.

Para muitas empresas, ignorar o tema pode significar perda direta de 10% dos lucros distribuídos a partir de 2026.

Por outro lado, quem agir de forma estratégica em 2025 poderá preservar a isenção, evitar aumento de carga e manter competitividade.

Na Hult Contabilidade, estamos acompanhando cada atualização do texto e auxiliando empresários a navegar esse novo cenário com segurança, estratégia e previsibilidade.


Precisa de ajuda para aplicar isso na sua empresa?

A Hult é especialista em planejamento tributário, governança societária e gestão financeira inteligente.

Podemos analisar o seu caso, realizar as simulações e estruturar toda a documentação necessária para garantir que você esteja protegido antes das novas regras entrarem em vigor.

Fale com a gente. Vamos transformar complexidade em vantagem competitiva.

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